Archive for the 'Underground em Portugal' Category

05
Mar
07

Underground em Portugal: Lusitanium.com

 

 

Retomamos o dossier Underground em Portugal para entrevistarmos o nosso colega Luis Nunes do site Lusitanium.com.

Eis o relato da sua experiência e da sua visão.

1 – Como (e quando) se deu a criação da Lusitanium.com e qual os objectivos pretentidos com a criação da Webzine?

A Lusitanium começou a ser idealizada há uns anos enquanto eu e um amigo nos fascinávamos com algumas bandas que íamos conheçendo, fiquei com uma enorme vontade de fazer parte de uma webzine. Mas já nessa altura haviam webzines com staffs intermináveis e sabiamos que era impossível entrar no campeonato das zines mundiais. Mas além disso não queria fazer uma coisa que há centenas de pessoas a fazer. A certa altura mudámos a ideia do idioma, seria o português. Mas essa originalidade não nos chegava. Entretanto o projecto foi ficando em águas de bacalhau porque não tinhamos conhecimentos para fazer um site com a qualidade que pretendíamos. A certa altura, quando praticamente já tinha abandonado a ideia da webzine apareceu um rapaz que fez um site porreiro e tratou de todas as questões de alojamento, domínio, essas coisas… e foi nessa altura que ficou definido que a webzine seria direccionada para o underground nacional.

2 – Quais os principas problemas que tens deparado durante a edição deste site? Quais os maiores prazeres te dá editares uma webzine como esta?

Esta resposta vem na sequência da resposta anterior. Quando o site ficou novo a estrear o meu companheiro inicial abandonou e o rapaz que fez o site apenas se queria responsabilizar pelo site, fiquei um pouco desapontado mas a vontade era muita e andámos para a frente. A maior dificuldade tem sido manter o staff estável, muita gente entra e sai. De certa forma já me habituei a essas coisas. Não diria que tenho tido problemas, como encaro isto como um hobby é com muita satisfação que vejo o número de visitantes a subir e à medida que vou actualizando o site em todas as secções sinto satisfação.

3 – Com a chegada da internet, das webzines e blogzines tem-se dado a um desaparecimento progressivo das Fanzines de papel. Até que ponto as Webzines serão mais eficazes do que as antigas fanzines e em que ponto não serão? Será que a tendência é o desparecimento das Fanzines em papel?

Os formatos são completamente diferentes a nível de conteúdo, a de formato web é mais eficaz e tem uma muito maior abrangência mas também acredito que não tenha o mesmo encanto, há quem se prenda aos velhos tempos a nível emocional mas acho que efectivamente as fanzines caseiras estão para morrer. Acho que a tendência é para uma certa especialização, os consumidores de webzines e fanzines de papel podem dar-se ao luxo de exigirem qualidade. Por exemplo, considero a Mondo Bizarre e a Underworld duas publicações de grande qualidade a todos os níveis, são gratuitas e estão disponíveis em quase todo o país.

4 – O que é o Underground?

A resposta mais fácil é dizer: O que não é mainstream. O que não se vende ao grande público. São pessoas que fazem música pelo simples prazer que ela lhes dá, não vivem obcecados com a possibilidade ou impossibilidade de viver da música. Sou eu e tu a fazer esta entrevista que sabemos que interessa a um grupo muito, muito restrito de pessoas, ou até mesmo ninguém… hehe … tu sabes o que é, é fazermos isto por gosto.

5 – Existe um movimento Underground em Portugal?
5.1 – Esse movimento para ti goza de grande vitalidade? Quais os defeitos e virtudes do nosso underground?

Claro! Esta entrevista é extremamente UNDERGROUND, nunca me passou pela cabeça ser entrevistado por fazer parte de uma webzine! Agora mais a sério, temos que admitir que o movimento underground nacional não é muito forte, sabes perfeitamente que muitas tours europeias de bandas que fazem dezenas de concertos por todo o mundo não passam cá. Mas não acho que se possa colocar culpas a alguém, falamos de um estilo musical restrito. Compreendo perfeitamente que grande parte das pessoas não aprecie música com berros, são gostos, não há nada a fazer. Mas não devemos dramatizar, ainda assim há alguns eventos importantes como por exemplo o SWR que é um festival que se tem estabelecido ano após ano como um acontecimento importante e a sua importância cada vez é maior.

6 – Até que ponto é e a partir de que ponto deixa de uma banda de ser considerada underground?

A partir do momento em que é reconhecida e apreciada pelo público em geral.

7 – Muitas bandas cá em Portugal demonstram um grande orgulho em ser underground. Isso para ti não é um contra-senso? Os objectivos de uma banda não é se divulgar e serem cada vez mais conhecidas?

Posso interpretar esse orgulho como sendo o troféu de se manterem fieis aquilo que foi o seu objectivo desde o primeiro dia, fazer a música que gostavam. Obviamente que quanto mais gente gostar da musica melhor, mas não se vão deixar guiar por opiniões de terceiros ou por modas, isso pode assassinar qualquer banda.

8 – Existe uma boa divulgação/promoção das nossas bandas underground?

Hoje em dia acho que chega a haver demasiada divulgação. Uma banda começa a tocar passado uma semana têm um mp3 no myspace e já se ouve em todo o lado. Acho que cada projecto deve ser maturado no seu próprio covil e deixar vir cá para fora apenas “produtos finais” porque acabam por ouvir coisas que os desanimam e ficam “marcados” à nascença.

9 – Umas das pechas muito apresentadas é a falta de recintos em qualidade e quantidade que as nossas bandas possam actuar com a frequência desejada. Que opinião tens sobre isto?

Isso é geral, porque os bons recintos não são só usados para o heavy metal, há muitos outros estilos que precisam de bons palcos, boas salas, boas condições. Tudo é movido por dinheiro hoje em dia, é a lei.

10 – Sentes que há um acréscimo de qualidade das nossas bandas? E em termos de mentalidade, esse acréscimo de qualidade é acompanhado?

Qualidade tem aumentado, as condições têm melhorado, tu em casa com alguns euros já consegues fazer coisas semi-profissionais, há emuladores de tudo que é instrumento etc. Em relação a mentalidade acho que cada vez mais as bandas sabem que para conseguirem alguma coisa têm que trabalhar muito, não basta ser bons músicos, tem que se ser original.

11 – Algumas opiniões apontam o dedo à Internet por ter prejudicado o movimento underground. Nomeadamente o feeling uderground. Concordas? Como assim?

Treta. Os tempos mudam e os tempos dos clubes secretos já lá vão, felizmente. A internet permite a pessoas que à distância troquem mp3, falem sobre um certo assunto, organizem excursões a wacken e outros festivais europeus, como é que isso pode prejudicar o que quer que seja?

12 – Sentes das bandas um feedback para o teu trabalho enquanto editor do Lusitanium.com?

As pessoas que contactei até agora foram todas muito simpáticas. Até no início quando as coisas ainda não funcionavam muito bem houve uma pessoa de uma banda que criticou vários aspectos do site, mas foi extremamente educado portanto não tinha porque levar a mal.
Penso que até agora não há ninguém insatisfeito com o nosso trabalho, ou então não nos diz… hehe

13 – Tem surgido algumas opiniões criticas em que há uma linha divisória entre o pessoal ligado ao Black Metal e o restante pessoal. Uma divisão entre Trves e Untrves. Outros criticam que o movimento dividiu-se em pequenos guetos. Qual a tua opinião sobre este assunto?

Não acho que exista essa divisória como dizes. Se bem te lembras há pouco tempo o Pedro dos Grog andou a cantar com os Decayed. Se temos o exemplo dos mais velhos porque não seguir esses bons exemplos. Além disso, quem consegue viver ouvindo apenas um tipo de música é demasiado limitado não achas? Naturalmente que as bandas de black metal poderão sentir maior afinidade entre si, tal como as de death metal porque praticam o mesmo estilo e possivelmente têm mais que conversar entre si quer seja de influências, técnicas, produções etc…

14 – Para ti quais são as melhores e piores bandas nacionais?

Naturalmente tenho os meus gostos pessoais. Destaco The Firstborn, Decayed, Grog, Filii Nigrantium Infernalium, Ironsword, Pitch Black. Piores, não sei, não penses que estou só a ser politicamente correcto mas sinceramente agora não me recordo de nenhuma banda que considere realmente má. Respeito quem trabalha nos seus projectos e naturalmente há pessoas que têm mais talento que outras mas acho que no fim o que importa realmente é o prazer que cada pessoas consegue retirar do que faz.

15 – Como explicas este boom de Black-Metal no nosso pais?

Basta olhares para a quantidade de pequenas editoras nacionais que apareceram recentemente, todas elas querem apresentar trabalho e algumas delas chegam a ser pouco selectivas no material que lançam. Hoje em dia quem tiver uma banda de black metal deve ter dificuldades em não lançar nada.
Eu não sou a pessoa mais indicada para comentar esse assunto porque geralmente sou bastante mais esquisito no que toca a Black Metal, há algumas bandas que gosto bastante como os Decayed ou Corpus Christii como já referi anteriormente mas não estou a par de todos os projectos que têm vindo a surgir. Felizmente para os nossos leitores temos alguns colaboradores que tratam do Black Metal.

16 – Quais os teus projectos para 2007?

Em relação à Lusitanium quero continuar a melhorar os conteúdos do site, estou sempre a tentar torná-lo mais completo e actualizado para que quem o consulte fique agradado com o que vê.

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25
Jan
07

Opinião – Underground: Paulo Trindade

Retomando o dossier Underground em Portugal, convidamos o nosso colega Paulo da Webzine Lusitania de Peso para um artigo de opinião.

Seguem-se as suas palavras:

Quando o João Sérgio deste blog Metal Stage me convidou para escrever um artigo de opnião sobre o Underground, a minha primeira reação foi negar o convite. Mas dado alguma insistência, repensei e acabei por aceitar escrever estas linhas.

E porque esta hesitação? A opinão é sempre um pau de dois bicos, muito bem aceite quando vai de encontro com as pretensões de quem é criticado, muito mal assimilada quando a critica não satisfaz essas mesmas pretensões. E mesmo uma critica bem intencionada é muitas vezes transformada num rol de más intenções, só porque não satisfaz as vontades de segundos e terceiros. Então uma opinião sobre o Underground em Portugal é um risco, pois vai tocar em muitas sensibilidades.

Mas como editor de uma webzine, terei que estar preparado para as minhas opiniões serem mal interpretadas, e por isso muito mal aceites.

Posto isto, vamos ao cerne da questão. Haverá ou não haverá Underground no metal nacional? A meu ver, há. E ele é aconselhavel, se encontra de “boa saúde”?

Ai a questão torna-se mais complicada. Do ponto de vista de bandas, há muitas bandas de enorme qualidade, e uma quantidade (de qualidade) superior do que há 10/15 anos atrás. Os nossos músicos estão melhor preparados do que no passado e as condições são muito superiores. Do ponto de vista de composição, houve uma evolução fantástica, há uns anos as influências das bandas era muito mais facilmente identificaveis no seu som, hoje existem alguns projectos com ideias próprias e muito amadurecidas.

Concerteza que haverão bandas, que me desculpem a franqueza, que mal sabem tocar os seus instrumentos, outras que sabem, mas o seu som resulta de um emaranhado de ideias confusas e pouco amadurecidas.

No cômputo geral, musicalmente falando, penso que o nosso Underground se recomenda.

Contudo, o MOVIMENTO UNDERGROUND reporta também a outros factores , dos quais destaco: divulgação e promoção, Modus Vivendi e relacionamento.

Em relação á divulgação e promoção das bandas Underground, existem hoje muitos mais canais de divulgação e mais agentes para a promoção das bandas. Na divulgação com a chegada da internet, há uma maior facilidade de acesso a conteúdos. Os sites e blogs tornam-se mais eficazes que as fanzines em papel.

Quanto ao Modus Vivendi e relacionamento dentro dos intervenientes do movimento, a coisa parece ser outra.

Há cerca de 10/15 anos era uma alegria encontrarmo-nos com pessoas ligadas ao nosso som e trocarmos ideias e material, hoje isso acontece mas não tanto.

Porque antes, para estar com outras pessoas para confraternizarmos e ouvir juntos as novidades (nacionais. e internacionais) era necessário encontrarmo-nos nos bares, concertos, ou até mesmo aos grupos nas ruas. Hoje isso não é necessário, basta uns cliques no rato e umas batidelas no teclado para se trocar ideias (e insultos baratos). Até mesmo sacar uma faixa de uma banda qualquer. Acredito que isso terá prejudicado o feeling underground.

Outro aspecto, hoje parece existir uma especie de barreira invisivel entre uma grande parte de elementos afectos a um sub-genero do metal e os restantes elementes. Muito já devem estar a pensar que estou a falar de membros afectos ao Black-Metal.

Não serão estes elementos ligados ao Black os principais (não unicos), causadores dessa divisão? Não terão sido eles que criaram uma especie de gueto dentro da cena nacional?

Senão vejamos, numa entrevista a este blog sobre o Underground nacional, uma banda que tem crescido de uma forma, mais ou menos, sustentada, vem restringir o Underground nacional ao Black-Metal. E uma banda que considero bem, como os seus dois elementos.

Para mim trata-se de uma visão minimalista, preconceituosa, miope e castradora. Então bandas com Painstruck, Dethmor, Angriff, Requiem Laus e Painted Black entre outras, não serão underground? Concerteza que são underground e não são bandas de Black-Metal.

Mas enfim, somos um pais democrático e cada um pode bem dizer aquilo que lhe passa pelo cerebro.

Antes de terminar queria deixar três apontamentos:

1 – Não sou afecto ao Black-Metal, é um genero que não me diz nada, literalmente. Mas todos os seus músicos e seguidores me merecem todo o respeito e consideração.

2 – Quero deixar claro que este é um artigo de opinião pessoal e não uma opinião dos elementos da Lusitania de Peso. Nesta Zine todos os seus elementos têm ideias próprias, nem sempre convergentes.

3 – Quero agradecer ao João Sérgio por este convite e desejo boa sorte para o blog Metal Stage.

Stay Heavy,
Paulo Trindade

22
Dez
06

Underground em Portugal: Profusions

profusions-andre-afonso.jpg

Para a segunda entrevista sobre underground nacionional, convidamos uma das revelações do ano, Profusions.

1 – Para iniciar gostava que resumissem a história dos Profusions desde a formação da banda até á data de hoje.

André Afonso: Olá! Em meados de 2004, numa altura em que o projecto pelo qual lutava estava bem encaminhado fiquei com mais tempo e decidi fundar os Profusions como meu projecto a solo (era Profusion na altura) com o objectivo de poder fazer algo com outro tipo de sonoridade. Com uma formação que eu julgava sólida e forte aparecemos uma vez ao vivo e a adesão foi mesmo muito boa. Entretanto problemas dentro da banda obrigaram-me a mudar de formação por completo, basicamente “deixaram-me sozinho”. Arranjei novamente pessoal, felizmente diga-se de passagem, até que gravamos a nossa maqueta “Paradigma” e nessa mesma altura decidi que não havia sentido para isto ser um projecto a solo e passou a ser uma banda e então foi acrescentado o “S” ao Profusion fazendo então os Profusions.

Depois de maqueta lançada foi uma chuva de entrevistas e concertos que apareceram, os pedidos foram tantos que já vamos na 3ª edição (cada edição com 100 copias). Tivemos oportunidade de tocar bastante e neste mês de Dezembro foi decidido parar um pouco. Com isto dá-se a saída do guitarra ritmo e juntou-se a nós um teclista. Ficando então (por ordem de entrada na banda) A. Afonso (eu) – guitarras, Maria – Bateria, Xisto – Vozes, Humberto – Baixo e Mike – Teclas.

2 – Antes de ‘Paradigma’ os Profusions gravaram outro trabalho que nunca foi editado. Porquê?

A. Afonso: Esse trabalho é composto apenas por baladas e foi algo que na altura me passou pela cabeça fazer só com pessoal convidado. Foi o trabalho que me fez agarrar na ideia e andar para a frente com o projecto Profusions.

O CD não tem qualidade nem autorização por parte dos intervenientes para ser editado e o género musical iria dar uma imagem incorrecta dos Profusions e isso podia prejudicar a banda agora nesta fase inicial. De qualquer das formas, qualquer um daqueles temas pode mais tarde ser pegado para arranjar com esta nova formação e entrar num trabalho futuro.

3 – Em termos sonoros há sempre a tentação de catalogar o som praticado por uma banda. Contudo o vosso som não me parece ser assim tão fácil. Concordam? Porquê?

Humberto: Um acesso de esquizofrenia? Agora a sério. Por experiência própria posso dizer que este é normalmente o resultado da primeira experiência de estúdio de uma banda com membros heterogéneos, com experiência musical diversa e gostos muitas vezes opostos, e que se reúne pela primeira vez. Depois de filtrado sai um som que é difícil de identificar à primeira. É completamente diferente se pegasses em cinco gajos que ouvem Tool há 10 anos e resolvessem fazer uma banda… O que é que ia sair dali? Parece-me óbvio. Não foi o que se passou aqui. Com a evolução vai acabar-se por notar mais as influências e ao mesmo tempo o amadurecimento do som próprio.

A. Afonso: Eu acho que logo à partida cada um de nós tem uma personalidade forte e coesa no instrumento e isso cria logo uma mistura que neste caso tem sido muito positiva. As influencias musicais diversificadas de cada um de nós vêm ao de cima e o resultado final soa de uma forma geral a algo mais complicado de rotular, na minha opinião é uma mais valia para a banda, um som próprio que se está a consolidar mais e mais e mais.

Maria: Sim, porque é um som versátil: conjugamos ambientes e melodias com riffs e ritmos mais pesados, com uma voz também por vezes mais melancólica e outras mais agressiva, espelhando as próprias letras que também o fazem.

3.1 – Como definem a vossa sonoridade aqueles que não conhecem Profusions?

Maria: Rock / Metal Progressivo ou um som Alternativo.

4 – ‘Paradigma’ já vai na terceira edição. Além do novo (e excelente) artwork que novidades tem esta nova edição?

Maria: Uma nova versão da “Vanish Traitor” e a nova música “Sad Remains”.

A. Afonso: Sim e “Away with You” tem mais algumas vozes que na altura que lançamos a primeira edição tinham ficado para trás. Não sei se reparaste mas o logótipo definitivo dos Profusions também faz parte das novas capas!

4.1 – Esperavam esta aceitação?

A. Afonso: Isso é aquela pergunta complicada que nos pode fazer parecer arrogantes mas a verdade é que apostamos num trabalho que acreditamos e que para nós tem qualidade e merece aceitação. Assim foi, e superou-nos como é óbvio, não tive-mos criticas más, até agora tem sido tudo muito positivo. Revistas, web-zines, locais de espectáculo, curiosos e até editoras mostraram-se interessados na maqueta e com isto surgiram novos contactos, concertos, muitas entrevistas e reviews, tem sido muito bom e tem-nos dado imensa força.

5 – O que é para vocês o underground?

Humberto: Por oposição ao rótulo, tudo o que não seja mainstream. A pergunta é, o que é o mainstream? Grandes editoras? Som comercial? Públicos mais heterogéneos? Em última análise tem a ver com o acesso. Do público em geral e não apenas de uma certa faixa de ouvintes. O underground está restrito a um público mais “conaisseur” O que não implica mais qualidade, pelo contrário. Grande parte do underground peca pela pouca qualidade e padece de um vício maior. A pouca exigência dessa qualidade e o mínimo de esforço em melhorá-la com a desculpa que se querer manter “independente”, lá o que quer que isso queira dizer.

5 – Existe underground em Portugal? E está de boa saúde?

Humberto: Existe, mas não como era há dez anos atrás. Hoje a quantidade de bandas é muito maior. O Underground tornou-se apenas um mainstream alternativo. A diferença é que os valores monetários não são os mesmos. E como no mainstream, há muita coisa com qualidade e outras que são uma boa porcaria. Digamos que o undergrouns hoje tem pressupostos diferentes.

6 – Qual o género/subgénero mais predominante dentro do underground nacional? E porque?

Humberto: Continua a ser o metal. Hoje as bandas independentes, que não de metal e que não participam do mainstream, preferem intitular-se “alternativas”. Isto porque o metal nacional sempre surgiu das profundezas do subterrâneo. È uma tradição. Já desde o tempo da compilação “Birth of a Tragedy” com bandas como os WC Noise, Procyon e outros pioneiros do Metal. O hardcore também tem grande tradição e mantém-se em força.

7 – O ambiente entre as bandas é saudável?

A. Afonso: Claro que sim, nós temos tocado com bandas de géneros musicais bastante diferentes do nosso, mesmo diferentes acredita e correu tudo ás mil maravilhas. Claro que quando as coisas não correm tão bem é importante saber ouvir as criticas construtivas e pensadas menos boas, aprender com elas. Por vezes um ou outro membro das bandas que partilham connosco o palco não aceitam tão bem mas isso com maturidade e humildade passa-lhes depressa. O pessoal tem de se mentalizar que independentemente de ser trabalho ou apenas um hobbie o objecto dos concertos é muito simples: HAVE SOME FUN! Isto junto com profissionalismo e competência musical cria sempre um bom espectáculo tanto para nos músicos como para as pessoas que nos vêm.

8 – O Metal nacional está melhor ou pior que há dez anos atrás?

Humberto: A quantidade de bandas é muito maior, o que faz com que por selecção natural existam mais bandas com mais qualidade. Como o acesso aos meios de produção é completamente diferente do que era há 14 anos atrás, começam a aparecer coisas com mais qualidade. Há 14 anos tinhas os Ramp, os Tarântula, o início dos Moonspell, os Sacred Sin e pouco mais. Hoje aparecem mais bandas e com álbuns editados. Mas se quiseres que te diga que o espírito era outro… Digo-te que sim mas isto já são os 30 anos a falar…

10 – Acreditam que a curto/médio prazo uma outra banda nacional consiga a mediatização internacional dos Moonspell?

Humberto: Sejamos realistas. Não. Os Moonspell aproveitaram uma janela aberta e com esforço saíram lá para fora. A oferta era pouca e dela espremeu-se a elite. Hoje em dia a oferta é maior, quer interna como externamente, e há mais ruído de fundo, sendo necessário que haja uma banda excepcional para que isso aconteça. Conjuntamente com a vontade de uma editora. Talvez os Profusions… Eh eh

A. Afonso: Cabe-nos a nós acreditar no que fazemos e tentar deixar de lado essa ideologia que é impossível vincar na música. De qualquer das formas convém ter os pés acentes na terra e ter a noção do que nos rodeia como o Humberto disse e muito bem: Os Moonspell fizeram o que tinham a fazer e muito bem na altura deles, agora vivemos numa “época” diferente e temos de contar com isso.

11 – Que bandas destacariam no último ano, quer pela positiva como negativa?

Humberto: Quê, nacionais? Tenho especial simpatia pelos Shadowsphere e pelos Ramp (Margem Sul!!!!)

Mas o destaque terá de ir de novo para os Moonspell pelo prémio MTV. Vale o que vale mas vieram trazer novo fôlego ao metal, algo que não acontecia desde há muito. Pelos vistos ainda não morreu.

Pela negativa, o vídeo do Sam The Kid. Não tanto pela referência infeliz aos Moonspell e ao assunto insistente da língua portuguesa, porque disso nem vale a pena falar, mas devido ás aparições do Rui Veloso e dos Da Weasel. Principalmente estes últimos. Não sei se eles se esqueceram mas aqui há uns anitos eram grande parte deles membros dos Braindead e gravaram dois álbuns em inglês. É um videoclip infeliz que trás ainda mais divisão aos estilos, algo que também há muito não acontecia. Precisava o panorama musical português disto?

Internacional? Positivo? TOOL, mas aí sou suspeito. Sou fã incondicional. E os Alice in Chains estes anos todos depois. Já não me imaginava a vê-los mesmo sem o Layne (RIP).

Negativo? O flop Guns n’ Roses. Pá Axl… Não mano, não, a sério, parte para outra… Eh eh…

12- Projectos para 2007?

Maria: Gravar um álbum, compor e tocar ao vivo.

A. Afonso: Sim, claro que o álbum é um objectivo e já começamos a trabalhar nele. Para alem dos temas do álbum já temos mais alguns temas compostos mas que ainda não saíram da pauta. Boas ideias individuais e algumas conjuntas está tudo bem encaminhado. Apesar de estarmos a gravar o álbum não queremos de forma alguma parar de tocar ao vivo, nós arranjamos tempo para tudo. O facto de ser eu a tratar da parte de gravação, mixagem e produção ajuda-nos a nível de tempo. O Mike tem as linhas teclados e pianos quase todos prontos e ao mesmo tempo estou a preparar com ele as “orquestrações” para o álbum. Neste momento uma das nossas maiores ambições é procurar uma editora que nos ajude a ir para a frente. Continuamos a trabalhar e vamos ver no que dá!

13 – Ultimas palavras…

A. Afonso: Olha, quero agradecer a entrevista, a divulgação e a oportunidade que nos estão a dar aqui na Metal stage Magazine . E deixar o site onde se podem informar das novidades, concertos, etc: www.myspace.com/profusions . É mais uma iniciativa excelente e de qualidade que nos ajuda a crescer.

Muito obrigado a ti e a todos que nos vão apoiando de uma forma ou de outra.

21
Dez
06

Underground em Portugal: Infernal Kingdom

Infernal Kingdom

Com uma entrevista a Infernal Kingdom, iniciamos uma série de outras entrevistas sobre o Underground em Portugal.

Será uma espécie de estudo/analise sobre a cena nacional, no discurso directo de bandas, distribuidoras, webzines, promotoras, etc…

A Metal Stage faz algo que ninguém tentou fazer, discutir o Underground pela opinião dos seus intervenientes.

O que é o underground? Como anda o underground nacional? Ai estão as respostas dos Infernal Kingdom…

1 – Tanto tempo, após a edição de ‘Our Darkest Black Metal’ podem fazer um balanço muito preciso sobre este registo. Que balanço fazem? Mudariam alguma coisa?

Demogorgon: Bom, um ano após este lançamento, posso dizer-te que as coisas foram feitas da forma que achamos melhor e com todo o espírito essencial e acho que hoje não mudaríamos nada, sinto que foi um bom trabalho, e ainda hoje tenho bastante prazer em ouvi-lo…

2 – Uma questão que me parece pertinente é a súbita aposta de muitas bandas, principalmente underground apostarem na edição em K7. Porque essa opção? O registo em Cd não seria mais favorável, dado ter melhor som?

Demogorgon: Bom, quanto aos outros nada tenho a dizer, o que sei é que surgiu-nos esta oportunidade de lançar algo em K7 pela HWP, e desde logo achamos interessante. Caso não saibas já anteriormente tínhamos tido várias propostas de labels nacionais para editar em k7… o problema é que não passaram de propostas, e quando estava tudo pronto para andar em frente, retiravam as propostas desculpando-se como podiam, enfim… mas acho que o ideal seria mesmo o vinil e futuramente iremos pensar nisso. Mas o mais importante de tudo, é a dedicação da editora e que faça o seu trabalho devidamente, isso é o que realmente nos interessa.

Naamah Satana: No nosso caso, “Our Darkest Black Metal” é som para ser ouvido em cassete, todo o processo que desencadeou este trabalho foi, de certa forma, inconscientemente destinado a este formato… O som final deste trabalho é completamente de rehearsal e desde sempre apoiámos a tape, aliás algumas das bandas que mais gosto, lançaram maioritariamente os seus primeiros trabalhos em cassete.
Talvez por isso, manter o tradicionalismo da cassete é um acto puro de culto às raízes.
Claro que um lançamento em Cd é bom, é muito mais versátil em termos de facilidades de audição e é mais prático… Talvez seja mesmo isso que o distingue da tape. A tape é underground também em termos produtivos, não é qualquer label/distro que edita e distribui maioritariamente cassetes, enquanto que Cds tens escolhas muito mais alternativas para o fazer.

3 – Um dos aspectos que mais curioso parece é o facto dos Infernal Kingdom não terem uma formação estável. Estarei correcto? Infernal Kingdom não serão apenas Naamah Satana e Demogorgon?

Demogorgon: Sim, claro…Infernal Kingdom é e sempre foi Demogorgon & Naamah Satana, é obvio que sempre fizemos um grande esforço para que fossemos um quarteto ou até um trio, mas está mais que visto que esta formação actual, será também a futura, está visto que não temos ninguém à nossa altura pois o que fazemos não se enquadra em parâmetros, já está definido…

4 – Soube que têm previstos dois Splits (um com Ereshkigal e Infernal e outro com Besatt) e além disso a edição de uma Demo-tape, ‘The Black Throne of Hell’, tudo para 2007. Podem nos adiantar mais alguma coisa sobre estes lançamentos?

Demogorgon: O que podemos adiantar é que os temas estão prontos a gravar e em breve iremos dar inicio às gravações, as quais desta vez estarão totalmente a cargo da banda e serei eu a gravar a Bateria, Baixo e Guitarra e Naamah Satana estará a cargo Voz e Terror!!!!!!!

Naamah Satana: Falta somente acrescentar que o split com Ereshkigal e Infernal será em formato pro -CD e terá o selo da Azermedoth Records, do México, com uma tiragem de 1000 cópias. Intitular-se-á de “Trilogy For Domination”. A demo tape “ The Black Throne Of Hell” sairá pela Satanic Records e será limitada a 666 cópias. O split com Besatt será feito somente para o final do ano de 2007, por isso preferimos revelar informações exactas mais lá para a frente.

5 – Em relação a ‘The Black Throne of Hell’, será próximo de ‘Our Darkest Black Metal’ ou pode-se esperar por um trabalho bem diferente?

Demogorgon: Bom, é lógico que haverá uma pequena “mudança” no som de IK, mas este ataque estará completamente relacionado com “Our Darkest Black Metal”, a única diferença é que desta vez os Infernal Kingdom estão totalmente entregues a todos os níveis e como te mencionei em cima serei eu a gravar os instrumentos, o que fará com que os temas sejam tocados e gravados com o mesmo sentimento, o que anteriormente talvez faltasse, com a passagem de membros passageiros …
Sem dúvida este será um trabalho grandioso para Infernal Kingdom, esperem para ouvir, aaaaaaaarrrrrrrrrrrrrgggggghhhhhhhhhhhh

6 – Os Infernal Kingdom são uma banda que dão poucos concertos, porquê?

Demogorgon: Até um certo momento, ainda demos alguns concertos, bastantes até, alguns dos quais ficamos insatisfeitos de os ter dado… Mas como é obvio a banda começou a melhorar e os convites a piorar, isto torna-se engraçado… Só revela que ao inicio existia um apoio, o qual era talvez porque pensassem, que Infernal Kingdom era uma banda passageira, o que não aconteceu e cá estamos para criar o TERROR!!!!
Como vês, em 2006 tocamos em Lisboa com os INQUISITION e no Porto com os BESATT (este organizado por nós), acho que foram poucos mas com qualidade, de resto não estamos muito preocupados em sermos ou não convidados, nós estamos cá, organizamos alguns concertos para quem nos quiser ver…mas uma coisa é certa, temos recebido mais convites para tocar lá fora, do que no nosso país, isto de certo modo é frustrante, mas é a “politica” nacional, para nós este meio está já há muito tempo claro e mais que visto.

7 – Como está a decorrer a promoção do próximo ‘Extreme Devotion Fest’? Quais são as vossas perspectivas para esta nova edição deste evento?

Demogorgon: Bom, as nossas perspectivas para o EXTREME DEVOTION FEST III, com toda a sinceridade são muito más!!!!!!
Sabemos e está bem explícito, que podemos trazer cá a melhor banda do mundo (se é que existe a melhor). Mas só o facto de sermos nós a organizar já é algo de frustrante para alguns…um exemplo foi o último EDF II, o qual trouxemos os BESATT e apesar de tudo ter corrido bem (nada falhou), apenas constatei que alguns daqueles que eu sabia adorarem BESATT não estiveram presentes… pergunto eu, porquê???? Porque o bilhete era 10 euros?? (na minha opinião foi um preço acessível perante as bandas do cartaz). O que é um facto é que tudo correu muito bem e mesmo assim tivemos 120 pessoas (excluindo os convidados) etc…
Desta vez a qualidade das bandas presentes também é muito boa, e está tudo pronto para que seja uma grande noite de Black Metal!!!
O que é certo é que mais uma vez arriscamos e quando assim é, alguma vez tens que perder, coisa que não acredito que aconteça, pois sei muito bem, que ainda temos pelo nosso meio, mentes que pensam por si próprias e não rebanhos que se abraçam por tudo e por nada…
Bom, quem aparecer neste evento tenho a certeza que não sairá insatisfeito.

Naamah Satana: Só quero deixar aqui um pequeno aparte que irá generalizar tudo o que foi mencionado até agora. Até à data sempre fizemos isto com total dedicação e acima de tudo com extremo gosto pelo que fazemos. Já daí nunca tivemos intenções de organizar estes eventos para enchentes, agradando assim a tudo o que por aí anda. Para nós isto é somente um exemplo daquilo que definimos como underground, com isto contamos sempre com um nº de pessoas mínimos a aparecer neste fest. Ou seja, sabemos que estamos a cometer riscos, mas isto sim é a nossa visão total de devoção no seu todo. Tentamos reunir uma boa porção de bandas que trabalham seriamente para o underground, sendo elas reconhecidas por uma grande multidão ou não. Até agora, as coisas têm corrido bem, mas temos consciência dos nossos actos ao ponto de saber que nem sempre o que é feito com dedicação é correspondido devidamente.

8 – Parece-me, e corro o risco de estar redondamente errado, que vocês apesar de serem uma das bandas mais consistentes do nosso espectro, não aparecem muitas entrevistas nas zines e blogs nacionais. Pelo contrário já vi algumas vossas entrevistas dadas a zines estrangeiras. Estou correcto? Se estou, porquê essa situação? Opção vossa?

Demogorgon: Claro que não é opção nossa.
Mas como te disse em cima, mesmo para os concertos, os convites têm sido sempre para fora do nosso país e não compreendo porquê…

9 – Como estão em termos de divulgação fora de Portugal?

Demogorgon: Muito bem!!!
Temos recebido muitas propostas fora de Portugal, muitas críticas, enfim APOIO e interesse pelo que fazemos…

10 – O que é o underground?

Demogorgon: O underground é aquilo que todas as bandas demonstram ser ao início das suas carreiras!

11 – Existe underground em Portugal? Se existe, em que ponto está? Bem ou mal?

Naamah Satana: Existe, claro!!!
O problema maior é já existirem muitas vertentes envolvidas no Black Metal. Falo do Black Metal em especial, pois é do que se trata no momento, mas isso sim, está a destruir uma raiz que é única e que foi criada seguindo um único seguimento. Hoje em dia isso não acontece e cada vez mais se vêem fusões, ideologias aos montes… enfim, quebra-se a essência de uma arte tão “in your face”, transformando-a numa enciclopédia onde só os sabedores e os investigadores são conotados como “trves”. Com o rumo que isto tem vindo a levar, chego à conclusão que uma boa parte dos projectos recentes que vejo, toca Black Metal (supostamente), mas não o SENTE.

12 – Até que ponto uma banda é ou deixa de ser underground? Os Infernal Kingdom são um projecto underground? Concretizem…

Naamah Satana: Vou falar directamente sobre os Infernal Kingdom, sim nós somos do underground, somos uma entidade que preza e venera o Black Metal, sem preocupações alheias de esperar que algo seja feito por nós, ou de ferir susceptibilidades. Nunca nos preocupamos em ter de fazer algo obrigatoriamente, ou então por mera conveniência formal. Já tomamos algumas atitudes extremas, talvez por isso ainda continuemos sem ceder a pressões ou a tornarmo-nos diferentes para nos inserirmos em algo imposto, preferimos então que nos odeiem do que termos de ignorar as nossas raízes e convicções. Continuaremos sempre a criar o caos, muito “dentro” daquilo que queremos. Isso nunca irá mudar, não haverá ninguém que mude a nossa forma de viver o Black Metal com a única ideologia que tem.

13 – A divulgação e promoção das bandas é a melhor? Já foi pior ou melhor?

Naamah Satana: No nosso caso, estamos bem, mas também não necessitamos de propaganda exagerada, deixamos isso a cargo de quem nos odeia, eheheh. Bom, falando agora seriamente, penso que recentemente haja uma maior promoção e divulgação das bandas, talvez até demais, na minha opinião, claro. Com as novas tecnologias que se têm vindo a desenvolver, o acesso a tudo o que é música é muito mais rápido, e por isso as fontes de comunicação tornam-se muito mais simples, o que incentiva qualquer desocupado a promover e até a criar o seu próprio projecto/banda. É como as editoras/ distros, existem aos montes, actualmente. Penso que isso te possa responder mais claramente como vejo o underground hoje em dia, o uso abusivo de Internet, prejudicou de certa forma o misticismo da procura. Aquilo que era anteriormente de valor e que hoje em dia basta teclar para conseguir.

14 – Um dos aspectos mais criticados pelas bandas é falta de publico nos espectáculos. Concordam? Porque será?

Naamah Satana: Concordo em absoluto, mas isto já não é novidade nenhuma para nós. É o típico caso, organizam-se eventos interessantes, o povo não aparece, não se organizam, queixam-se. Acho que os metaleiros hoje em dia preferem ir beber uns copos ao tasco do lado e ouvir quaquer merda que lá passe (desde que estejam com os amigos) do que se juntarem e irem a bons concertos. Ou então colam-se à Internet…

15 – O ambiente entre as bandas underground nacionais é bom?

Demogorgon: Sim, é muito bom sobretudo quando várias bandas com editoras próprias que se criticavam constantemente, reflectiram ao ponto de pensarem que o melhor seria unirem-se para assim poderem trabalhar mais seriamente. (Isto no Black Metal).

16 – Qual dentro do metal, o género mais dominante do espectro nacional? E porque será?

Demogorgon: Quando começamos em 2000, posso dizer que nessa altura o DEATH METAL dominava em todos os aspectos, agora acho que o Black Metal está na moda, qualquer um tem de um dia para o outro um projecto de Black Metal, e até acho que muitos desses poderiam desde logo lançar um álbum que ninguém se importaria. Mas passando à frente, de momento em Portugal sinto falta de bandas de Heavy e Thrash Metal, bem à maneira old-school.

17 – O Black Metal é uma religião? O que difere este género dos restantes?

Naamah Satana: O Black Metal é um culto de Satanás, que é expresso através de hinos e invocações puramente Satanistas. Não há qualquer outra conexão com o Black Metal desde os seus primórdios… embora hoje em dia, não encontre muitos puristas a crer devidamente naquilo que o Black Metal é na sua íntegra essência.
O que o difere dos restantes estilos, não sei, sinceramente nunca reflecti nisso, dedicamo-nos ao Black metal sem nos preocuparmos com diferenças ou relações com os outros géneros dentro do Metal.

18 – Como definem um Trve? Porque razão os Trves são tão criticados por pessoas ligadas a outras fracções do metal? Vocês consideram-se Trves?

Naamah Satana: Pergunto eu, posso?? O que é um trve?
Sinceramente, essas designações utilizadas actualmente, metem-me uma certa confusão. Entre o Ser e usar um rótulo vai uma grande diferença.

19 – Em termos de bandas estamos melhor ou pior do que á 10 anos?

Naamah Satana: Acho que estamos melhor… Mas também existem muito mais bandas, o que implica existirem mais seguidores e tudo vai crescendo. Não sei se da melhor forma, pois o facto de existirem muito mais pessoas dispostas a criar uma banda, não significa que se mantenham seriamente, e que o façam devidamente, pois quando assim é, começam a existir tipos que querem inovar, ser originais (eu chamaria diferentes), e isto porquê? Porque talvez não estejam ligados ao Metal somente por gostarem realmente de fazer a sua música, mas fazem-no sim, para o máximo nº de pessoas gostarem, isso é péssimo.
Talvez por isso ache que quanto ao Black Metal já existem muitas “inovações” e diferentes espiritualidades de senti-lo, o que me desagrada bastante no que toca à força interior que o Black Metal acarreta.
Com tudo isto corro o risco de dizer que estamos perante uma fase em que não afirmo nada seguramente. Tenho a sensação de que musicalmente as coisas estão melhores, mas penso que com as facilidades de agora, isso também era de esperar. Espiritualmente é o que digo, prefiro não comentar.

20 – O melhor e o pior de 2006?

Naamah Satana: Penso que em Portugal durante este ano ocorreram três momentos grandiosos e memoráveis para o Black Metal nacional, que foram a vinda dos Inquisition e dos Besatt cá e destaco também o concerto de Morte Incandescente. Sinceramente não vi mais nada que me tivesse interessado tanto por cá a esse nível em especial.
De pior, sei lá, vejo uma carência de concertos tão interessantes como os que em cima referi, contando sempre com o espírito de quem realmente venera um ritual, mas isso também já engloba uma série de coisas a serem reflectidas. Acho que num ponto de vista geral, são quase sempre as mesmas bandas a reunirem-se num concerto para tocar, se não são as bandas, são projectos paralelos. Isso contribui para que hajam distinções de público, ou melhor divisões e campeonatos, expressões débeis que se tornam em atitudes e que contribuem para a destruição das raízes do Metal. Não atribuo culpas nem ressentimentos às bandas em geral, pois nem sempre daí partem os actos…há muita coisa em torno disto, que foi de certo modo implantado e que já nem se valoriza como sendo um possível problema.

21 – Quais os projectos para 2007?

Naamah Satana: Lançar os trabalhos previstos no devido tempo, se tudo correr bem concretizar alguns concertos já planeados no estrangeiro e preparar mais tarde o nosso álbum de estreia para 2008!!!

22 – Ultimas blasfémias…

Infernal Kingdom: Hail SATAN!