25
Jan
07

Opinião – Underground: Paulo Trindade

Retomando o dossier Underground em Portugal, convidamos o nosso colega Paulo da Webzine Lusitania de Peso para um artigo de opinião.

Seguem-se as suas palavras:

Quando o João Sérgio deste blog Metal Stage me convidou para escrever um artigo de opnião sobre o Underground, a minha primeira reação foi negar o convite. Mas dado alguma insistência, repensei e acabei por aceitar escrever estas linhas.

E porque esta hesitação? A opinão é sempre um pau de dois bicos, muito bem aceite quando vai de encontro com as pretensões de quem é criticado, muito mal assimilada quando a critica não satisfaz essas mesmas pretensões. E mesmo uma critica bem intencionada é muitas vezes transformada num rol de más intenções, só porque não satisfaz as vontades de segundos e terceiros. Então uma opinião sobre o Underground em Portugal é um risco, pois vai tocar em muitas sensibilidades.

Mas como editor de uma webzine, terei que estar preparado para as minhas opiniões serem mal interpretadas, e por isso muito mal aceites.

Posto isto, vamos ao cerne da questão. Haverá ou não haverá Underground no metal nacional? A meu ver, há. E ele é aconselhavel, se encontra de “boa saúde”?

Ai a questão torna-se mais complicada. Do ponto de vista de bandas, há muitas bandas de enorme qualidade, e uma quantidade (de qualidade) superior do que há 10/15 anos atrás. Os nossos músicos estão melhor preparados do que no passado e as condições são muito superiores. Do ponto de vista de composição, houve uma evolução fantástica, há uns anos as influências das bandas era muito mais facilmente identificaveis no seu som, hoje existem alguns projectos com ideias próprias e muito amadurecidas.

Concerteza que haverão bandas, que me desculpem a franqueza, que mal sabem tocar os seus instrumentos, outras que sabem, mas o seu som resulta de um emaranhado de ideias confusas e pouco amadurecidas.

No cômputo geral, musicalmente falando, penso que o nosso Underground se recomenda.

Contudo, o MOVIMENTO UNDERGROUND reporta também a outros factores , dos quais destaco: divulgação e promoção, Modus Vivendi e relacionamento.

Em relação á divulgação e promoção das bandas Underground, existem hoje muitos mais canais de divulgação e mais agentes para a promoção das bandas. Na divulgação com a chegada da internet, há uma maior facilidade de acesso a conteúdos. Os sites e blogs tornam-se mais eficazes que as fanzines em papel.

Quanto ao Modus Vivendi e relacionamento dentro dos intervenientes do movimento, a coisa parece ser outra.

Há cerca de 10/15 anos era uma alegria encontrarmo-nos com pessoas ligadas ao nosso som e trocarmos ideias e material, hoje isso acontece mas não tanto.

Porque antes, para estar com outras pessoas para confraternizarmos e ouvir juntos as novidades (nacionais. e internacionais) era necessário encontrarmo-nos nos bares, concertos, ou até mesmo aos grupos nas ruas. Hoje isso não é necessário, basta uns cliques no rato e umas batidelas no teclado para se trocar ideias (e insultos baratos). Até mesmo sacar uma faixa de uma banda qualquer. Acredito que isso terá prejudicado o feeling underground.

Outro aspecto, hoje parece existir uma especie de barreira invisivel entre uma grande parte de elementos afectos a um sub-genero do metal e os restantes elementes. Muito já devem estar a pensar que estou a falar de membros afectos ao Black-Metal.

Não serão estes elementos ligados ao Black os principais (não unicos), causadores dessa divisão? Não terão sido eles que criaram uma especie de gueto dentro da cena nacional?

Senão vejamos, numa entrevista a este blog sobre o Underground nacional, uma banda que tem crescido de uma forma, mais ou menos, sustentada, vem restringir o Underground nacional ao Black-Metal. E uma banda que considero bem, como os seus dois elementos.

Para mim trata-se de uma visão minimalista, preconceituosa, miope e castradora. Então bandas com Painstruck, Dethmor, Angriff, Requiem Laus e Painted Black entre outras, não serão underground? Concerteza que são underground e não são bandas de Black-Metal.

Mas enfim, somos um pais democrático e cada um pode bem dizer aquilo que lhe passa pelo cerebro.

Antes de terminar queria deixar três apontamentos:

1 – Não sou afecto ao Black-Metal, é um genero que não me diz nada, literalmente. Mas todos os seus músicos e seguidores me merecem todo o respeito e consideração.

2 – Quero deixar claro que este é um artigo de opinião pessoal e não uma opinião dos elementos da Lusitania de Peso. Nesta Zine todos os seus elementos têm ideias próprias, nem sempre convergentes.

3 – Quero agradecer ao João Sérgio por este convite e desejo boa sorte para o blog Metal Stage.

Stay Heavy,
Paulo Trindade

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10 Responses to “Opinião – Underground: Paulo Trindade”


  1. 1 Joaquim Santos
    Janeiro 27, 2007 às 11:50 am

    Belas palavras.
    É de salutar que apareça alguem que não tenha medo de dizer umas verdades.
    Há um cancro dentro do metal luso, e há que desmascarar as pessoas que o alimentam.

  2. 2 satanized
    Fevereiro 5, 2007 às 11:49 pm

    Acho estranho estes pseudo-intelectuais da música que não sabem tocar um instrumento. Que são editores de webzine quem dizem que apoiam a musica nacional, e depois vêm criticar, insultar e desvalorizar as nossas bandas. Será inveja pelo black-metal ser o genero que domine a cena naional?

  3. 3 Paulo Trindade
    Fevereiro 6, 2007 às 11:14 pm

    Caro(a) Satanized:

    Quando escrevi a crónica a convite do meu caro colega João Sérgio sabia que corria o risco de ser mal interpretado por mentes pouco evoluídas, mas não no termo que me fizesse responder a algum comentário. Sou indivíduo com capacidade de aceitar ideias contrárias ás minhas. Porque não sou, nem tenciono ser o dono da razão. Agora não posso deixar sem resposta insultos gratuitos.

    Afirma que eu sou um pseudo-intelectual da música, não serei concerteza. Sou sim um indivíduo que ama o Heavy-Metal há bastante tempo, provavelmente desde o tempo em que não teria idade para escrever o seu comentário. E aceite que lhe diga que não escreve muito bem. Portanto sou um fã do Metal e com direito a minha opinião.
    Afirma que não sei tocar um instrumento (parece conhecer-me minimamente para afirmar isso), mas olhe que existem músicos que não tocam instrumentos e têm uma grande carreira, os chamados vocalistas. Eu como não sei tocar nem cantar, não criei nenhuma banda e modéstia á parte neste aspecto eu devia ser um exemplo a seguir por alguns.
    Afirma que como editor de uma webzine devia apoiar as bandas e não critica-las. Eu e o resto do staff da minha webzine não temos feito mais nada ao longo de mais de um ano de existência da webzine. E temos o prazer de ver o nosso trabalho ser reconhecido por muitas bandas. Eu cheguei a organizar junto com um grande amigo um festival investindo nosso dinheiro. Não será isto apoio ás bandas?
    Em relação á critica, é natural dado o compromisso com nossos leitores que diga o que vai bem e o que vai mal, senão estaria a ser hipócrita, coisa que não sou. Ademais, as pessoas com capacidade aceitam a critica séria e honesta, concordando ou não. E no caso de concordarem procuram melhorar com isso. Só os medíocres se contentam em continuar a ser medíocres.
    Eu nunca insultei nesta crónica (nem noutras situações) nenhuma banda, limitei-me a desacordar com uma opinião. lamento que não tenha percebido isso.
    Insinua que terei inveja pelo facto de o Black-Metal dominar a cena nacional… está completamente errado. Embora lamente o facto de o metal nacional ser denominado pelo Black-Metal (reafirmo que não me identifico com este sub-genero) e não por um sub-genero mais evoluído musicalmente.
    Para terminar notou que eu ao contrario de si assino com meu próprio nome e não me escondo através de um nick?

    Atentamente,
    Paulo Trindade

  4. 4 Lino Mateus
    Fevereiro 8, 2007 às 3:12 pm

    Venho deixar uma palavra de apoio ao meu amigo Palinho… Como sabem, eu vivo e sinto o Black Metal e é a minha vida. O Paulo tocou em pontos muito pertinentes e dos quais em grande parte considero como correctos. Embora não concorde que existe uma marginalização por parte de toda a gente do Black Metal… Existe é a divisão TRVE e UNTRVE, digo já… Há pessoal dentro do Black Metal que, por ser influente, julga que pode brincar com a vida das outras pessoas… Já chegou a altura de parar com essas merdas e serem uns homenzinhos… Sou amigo do Paulo, sei que ele é uma pessoa humilde, simples e integra e que acima de tudo ama o Heavy Metal… E digo já… mais facilmente partilho uma noite de copos com o meu amigo Paulo, que com muita gente que anda aí pelo Black Metal a navegar por águas muito duvidosas!!!

    Lino

  5. 5 Angel-of-Death aka Zene
    Fevereiro 10, 2007 às 5:21 pm

    Bem, Paulinho meu amigo, faço tuas as minhas palavras.
    É triste é que alguém tenha que ser duro como tu, e dizer aquilo que nem deveria precisar de ser dito.
    Abraço.

    \../

  6. Fevereiro 12, 2007 às 12:12 pm

    Que grande palhaçada!!!
    Então o rapaz chamado Paulinho, que eu conheço perfeitamente e pessoalmente, fiquei espantado com a sua mediocridade, exposta perante uma entrevista dada pela minha banda A metal stage.

    1-Então vamos la ver… a dita entrevista foi dada a uma banda de ?
    BLACK METAL.
    2-As respostas foram feitas perante o discurso de uma banda de?
    BLACK METAL.

    666- Depois veio este palhacito, que já é da velha guarda mas que só agora decidiu fazer algo, passado uns 30 e tal anos de vida…
    Então este mesmo veio falar das respostas dadas a uma entrevista BLACK METAL UNDERGROUND, em vez de falar no que realmente lhe interessa, se é que então o Black metal nunca lhe interessou, ou então se não estou enganado, andam por aí umas dores do caralho!!!!!

    Podem criticar o que quiserem, agora é preciso é ser fundamentalista e no minimo então estar dentro das coisas.

    ESSE RAPAZ DISSE O SEGUINTE:
    Senão vejamos, numa entrevista a este blog sobre o Underground nacional, uma banda que tem crescido de uma forma, mais ou menos, sustentada, vem restringir o Underground nacional ao Black-Metal. E uma banda que considero bem, como os seus dois elementos.

    Para mim trata-se de uma visão minimalista, preconceituosa, miope e castradora. Então bandas com Painstruck, Dethmor, Angriff, Requiem Laus e Painted Black entre outras, não serão underground? Concerteza que são underground e não são bandas de Black-Metal.
    — —- —- —- — —– —–

    Enfim… acho melhor arranjares uma gaja, uma banda ou então mata-te!!!!!!!
    O assunto é o underground ou INFERNAL KINGDOM?
    O mal é que até as webzines não sabem fazer nada a não ser deitar a baixo aquilo que não gostam …enfim, aprendam a falar daquilo que gostam.
    fuck!!!!!!

    Bom, de resto não se esqueçam:
    EXTREME DEVOTION FEST III
    Porto Rio Bar dia 3 de Março 2007

    ERESHKIGAL (MEX)
    INFERNAL KINGDOM (POR)
    METAL KING (COL)
    ETREUMN (ESP)
    DAEMOGORGON (POR)

    ENTRADA: 10 MUTILAÇÕES INICIO 21H

  7. 7 Um gajo qualquer
    Fevereiro 13, 2007 às 11:41 am

    Nesta polémica de cortar cabeças… Apenas apresento as minhas saudações ao Paulo pela coragem e sentimento de verdade que expôs no seu artigo…
    DE certo que todos temos a nossa opinião, Agora quando se entra numa de falar de qualquer maneira, tá tudo perdido…
    Paulo, muitos são os que sabem do teu trabalho e n precisas nem de responder a provocações.
    Esperamos todos nós que não te deixes abalar por isto, pois a verdade é que nalguma ferida tás a tocar, só por isso já valeu a pena; certo?
    Abraços
    Um gajo qualquer

  8. 8 Diogo
    Fevereiro 27, 2007 às 10:31 am

    Hello:

    Concordo com o ultimo post.

    Deixo aqui as minhas saudações a quem age de boa fé e vê-se logo entre quatro paredes; É de rir. Muita força Paulo!!!

  9. 9 Daniel
    Maio 2, 2007 às 3:29 pm

    Realmente isto é de rir e depois de ler com atenção a entrevista de infernal kingdom devo confessar que eles estão totalmente no seu direito de contestar esta mediocre opinião que com desagrado li em cima. força Demogorgon e Naamah Satana voces sempre foram frontais e é disso que eu gosto.
    HAIL BLACK METAL \m/

  10. Maio 3, 2007 às 12:29 am

    Incrível como uma cronica minha publicada neste espaço em Janeiro ainda faz correr tinta em Maio.
    Agradeço todas as manifestações de apoio. Em relação ás criticas à cronica lamento algumas palavras e alguns termos pouco correctos. Porque uma coisa é criticar e refutar a crónica, outra coisa é insultar a minha pessoa.
    Se em relação à entidade misteriosa identificada como satanized já aqui deixei resposta, em relação ao comentário proferido pelos elementos dos Infernal Kingdom esse foi respondido directamente, com resultados que só aos intervenientes interessam.
    A outra critica à crónica aceito sem problemas, só espero eu que essa critica seja feita conscientemente, com ideias próprias, e não o resultado de conselhos de terceiros…

    Para terminar, devo dar os parabéns ao João Sérgio pelo seu regresso.


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